Sobre o Informa Saúde
Boa parte do que o médico explica na consulta se perde no caminho de casa. Os estudos sobre memória do paciente encontram de 40% a 80% da informação esquecida logo depois do atendimento, e quase metade do que a pessoa lembra está trocado. Quem tem mais dificuldade de ler perde mais.
O Informa Saúde existe para cobrir essa distância. É um projeto voluntário e sem fins lucrativos. Produz material de saúde em linguagem simples, para o médico ou o enfermeiro entregar em mãos no fim da consulta.
Missão: fazer a informação de saúde chegar a quem tem mais dificuldade de ler.
Por que o projeto existe
- 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos leem frases e trechos curtos, mas não conseguem entender um texto mais longo nem juntar as informações dele. Outros 36% conseguem, mas com dificuldade. Só 10% leem sem esforço, e esse número não muda há mais de vinte anos (INAF 2024).
- Entre os brasileiros com ensino fundamental que usam internet, 31% procuraram informação de saúde no último ano (TIC Domicílios 2024). Quem estudou menos procura menos. E, quando procura, encontra textos escritos para quem estudou mais.
- Instrução só falada fica na memória em 14% dos casos. A mesma instrução com imagem chega a 85% (Houts e cols., 1998).
Como o material chega até a pessoa
A informação precisa ser entregue, e não procurada. Quem entrega é quem atendeu, em mãos, no fim da consulta, falando ao entregar. É a hora em que a dúvida existe e em que já há confiança.
O site é onde o material fica e para onde o papel aponta. Não é a porta de entrada.
Cada informativo sai em três formatos, com o mesmo conteúdo: folha A4 para imprimir e entregar, imagem única para reencaminhar e áudio de menos de um minuto. O áudio não é um extra. É o único formato que alcança quem não lê.
Como usar, se você atende
Não precisa de cadastro, senha nem autorização. O material é livre para imprimir e entregar, sob a licença CC BY-ND 4.0: pode copiar e distribuir à vontade, desde que não altere o material.
- Procure o tema na página inicial e abra a folha para imprimir.
- Imprima na hora, ou imprima um lote e deixe na sala.
- Entregue em mãos, dizendo em uma frase o que a pessoa vai encontrar ali. Material deixado em silêncio sobre o balcão é outro material.
Princípios
- Sem propaganda. O projeto não aceita pagamento de nenhuma empresa, não publica conteúdo patrocinado e não recomenda marca de produto.
- Toda informação tem fonte e responsável. O nome e o registro profissional de quem revisou vão impressos na própria peça, porque ela circula longe do site.
- O material não substitui a consulta. Ele explica, organiza e prepara a conversa.
- Revisão programada. Todo conteúdo traz a data da última revisão e a versão impressas, e é revisto a cada três anos. Uma cópia reencaminhada nunca se atualiza sozinha, e por isso a pessoa precisa conseguir ver que material tem em mãos.
- O projeto não coleta dados de quem lê. Não pede nome, documento ou identificação, e não guarda registro que ligue uma pessoa a um assunto de saúde. A hospedagem registra acesso, como qualquer site, e o que fica registrado está escrito em privacidade e uso do material.
Como a gente confere o material antes de publicar
Cada informativo é escrito, revisado por profissional que assina com nome e registro, e só então medido por duas conferências.
A primeira olha a forma do texto: o tamanho das frases e o tamanho das palavras. Ela dá uma nota, e material abaixo da nota mínima não é publicado.
A segunda pergunta outra coisa: se a pessoa termina a leitura sabendo o que fazer. Item por item. Se o texto diz a ação, em vez de só descrever a doença. Se tem desenho que ajuda. Se os números vêm prontos, sem conta para a pessoa fazer.
As duas usam instrumentos públicos: o índice Flesch adaptado ao português brasileiro e o PEMAT, da agência de saúde americana AHRQ. As notas de cada material ficam visíveis na página dele, junto com quem revisou e quando.
O que o projeto não faz
- Não é enciclopédia de doenças e não pretende cobrir todos os assuntos.
- Não publica conteúdo diário nem acompanha notícia de saúde.
- Não responde dúvida individual e não orienta caso clínico.
- Não produz material patrocinado, em nenhuma circunstância.
- Não recebe doação enquanto não tiver como prestar contas dela publicamente.
Quem faz
Quem toca o projeto é Felipe Mota Rezende, médico de família e comunidade, CRM-GO 21.566. Hoje ele também assina a revisão técnica dos materiais. A marca foi criada e doada por quem a desenhou.
O projeto está no começo e não tem dinheiro envolvido. As frentes abertas agora são cinco: escrever o conteúdo, revisar, cuidar da linguagem, diagramar e gravar o áudio.
Contato
Para participar, sugerir um tema ou conversar sobre o projeto antes de decidir, escreva para felipemrez@gmail.com.
Página atualizada em setembro de 2026.
Este material não substitui a consulta.